As vinhas da Madeira são moldadas por paisagens íngremes, solos vulcânicos e microclimas diversificados. Estas condições influenciam as técnicas de cultivo da uva e contribuem para os vinhos característicos da ilha.
A produção de vinho na Madeira remonta a vários séculos e está intimamente ligada à geografia, ao clima e às tradições agrícolas da ilha. A gestão das vinhas reflete um equilíbrio entre necessidade, adaptação e património.
A Madeira produz vinho desde que foi descoberta e colonizada no início do século XV. Os primeiros colonos vieram principalmente do norte de Portugal e trouxeram consigo as suas videiras. Há também registos de que Henrique, o Navegador, mandou plantar na ilha uvas Malvasia (Malmsey) doces provenientes de Creta já em 1450.
As impressionantes vinhas da Madeira estendem-se pelas encostas íngremes em terraços escalonados, sustentados por muros de pedra vulcânica. É impressionante pensar no esforço e no trabalho necessários para construir estes muros de basalto, feitos sem argamassa, de forma a garantir uma drenagem adequada. Nas suas caminhadas pela deslumbrante ilha da Madeira, poderá ver uma encosta inteira coberta de vinhas, mas na maioria das vezes estas vinhas pertencem a dezenas de pequenos produtores e não a um único proprietário.
A irrigação é feita através do sistema de levadas: uma rede de mais de 1000 km de canais de irrigação (a Ilha da Madeira mede apenas 57 km na sua maior largura!) que recolhe água de nascentes e rios nas montanhas e a distribui por toda a ilha para regar as terras agrícolas. São uma verdadeira proeza de engenharia e a sua construção começou assim que os colonos chegaram à ilha. Foi incrivelmente difícil esculpir as levadas da Madeira nas falésias e vales basálticos, e diz-se que Dom Afonso de Albuquerque levou consigo «levadeiros» (construtores de levadas) para a Abissínia em 1508, pensando que iria construir uma barragem no Nilo.
Hoje, as levadas são os caminhos perfeitos para descobrir os muitos tesouros escondidos que esta ilha tem para oferecer, serpenteando por entre florestas primitivas, jardins coloridos e vinhas notáveis.
As videiras que produzem as uvas utilizadas no vinho da Madeira são cultivadas de duas formas diferentes: a «latada» ou pérgula, que é mais exigente em termos de poda e colheita, mas proporciona às uvas uma maior exposição solar e é o sistema mais comum, permitindo entre 2500 e 4000 plantas por hectare; o sistema vertical chamado «espaldeira» só pode ser utilizado em terrenos menos íngremes, o que é raro aqui, mas permite aos viticultores plantar entre quatro e cinco mil plantas por hectare.
Como a terra é tão escassa na ilha, é muito comum ver outros produtos, como batatas, a crescer entre as videiras, ou mesmo uma erva daninha com flores amarelas chamada «azedas», que ajuda a reter a humidade.
Isto significa que as vinhas da Madeira são bonitas durante todo o ano, pois as azedas florescem em fevereiro e março, quando as videiras estão nuas, mas esculturais, após a poda!























